Crime mobiliza população de província na China

 

Milhares de pessoas saíram às ruas em uma manifestação violenta, em um condado do sudoeste da China, incendiando edifícios do governo e virando carros em protesto contra a condução dada por funcionários do governo ao inquérito sobre a morte de uma adolescente local, de acordo com um grupo de defesa dos direitos humanos, com a imprensa estatal e com imagens em vídeo dos tumultos.

Os protestos no condado de Weng’an, na província de Guizhou, são mais um lembrete da rapidez com que a ira do público pode despertar na China em função de uma percepção de incompetência ou corrupção por parte das autoridades. Nos últimos anos, o descontentamento tem irrompido na forma de pequenas manifestações e atos de violência em todo o país.

Os protestos em Weng’an no sábado parecem ter sido mais amplos, supostamente envolvendo milhares de moradores, entre os quais crianças. Agências de notícias informaram que os manifestantes entraram em choque com unidades paramilitares enviadas ao local. Em março, milhares de policiais de choque foram enviados a Lhasa, a capital do Tibete, para conter violentas manifestações de oposição à China. Vídeos dos tumultos em Weng’an divulgados no YouTube mostravam grupos de manifestantes assistindo as chamas que tomavam um edifício do governo local.

O Centro de Informação para os Direitos Humanos e a Democracia, uma organização de defesa dos direitos humanos sediada em Hong Kong, reportou que o tumulto foi incitado pelo caso de uma adolescente supostamente estuprada e assassinada. Parentes da menina de 16 anos atribuem à polícia local a culpa por uma investigação mal conduzida, e também alegam a possibilidade de corrupção, segundo o grupo. A família diz que a menina desapareceu depois de ser vista em companhia de dois rapazes que têm conexões com os serviços locais de segurança do condado, de acordo com o relatório da organização.

No sábado, informou o grupo, cerca de 500 alunos de escolas de segundo grau do condado decidiram sair em uma marcha de protesto que culminou diante da sede do serviço local de segurança. Mas os estudantes foram expulsos do local e espancados, uma atitude que imediatamente despertou a ira de milhares de pessoas que começaram a atear fogo a edifícios e a virar carros.

O Centro de Informação para os Direitos Humanos e a Democracia informou que uma pessoa morreu, 150 ficaram feridas e 200 foram detidas pelas autoridades locais. Não foram localizados funcionários da província para confirmar esses números.

Pela manhã de domingo, um morador de Wang’an informou à agência de notícias Associated Press (AP) que a polícia estava usando megafones para pedir que a multidão se dispersasse, enquanto os canais locais de televisão estavam apelando às pessoas envolvidas nos protestos que se entregassem às autoridades.

“Havia uma fumaça escura espessa sobre toda a área”, disse um morador à AP. “O incidente demonstra que a ordem social por aqui não é estável”. A agência oficial de notícias chinesa, Xinhua, confirmou a violência em um breve artigo e afirmou que a situação havia sido estabilizada. Em referência à investigação sobre a morte da menina, a agência afirmou que “algumas pessoas que não conheciam o contexto exato do que aconteceu foram instigadas a cercar a delegacia de polícia e os edifícios do governo local e do comitê do Partido Comunista”.

 

As manifestações surgiram menos de seis semanas antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, e autoridades de segurança estão muito preocupadas com a possibilidade de distúrbios em diversas partes da China.

Jim Yardley

Tradução: Paulo Migliacci ME

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